Índice de Força Relativa – (IFR)

Jhonatas Souza

“Uma das maneiras mais consagradas entre os analistas na análise técnica de medir a força do movimento de um determinado ativo é o Índice de Força Relativa, ou IFR“.

Trata-se de um indicador desenvolvido em 1978 pelo trader e pesquisador americano J. Welles Wilder e publicado no livro New Concepts in Technical Trading Systems. Além do Índice de Força Relativa, ele criou também outros indicadores importantes como o SAR Parabólico, o Índice de Direção do Movimento, ADX, e as Médias Móveis. Basicamente, o IFR aponta os momentos em que o mercado subiu demais e está sobrecomprado ou desceu demais e está sobrevendido.
 
O IFR nos mostra a exaustão do movimento, e portanto “teoricamente” o início do movimento contrário.
Para tanto, o Índice de Força Relativa soma as altas e as baixas do ativo durante um determinado período de tempo e divide uma pela outra, obtendo assim um número que nos diz quanto de alta em relação à baixa tivemos naquele período. O IFR é a razão entre as altas e as baixas. Se o fechamento de hoje foi maior que o fechamento de ontem, então vou somar a diferença entre hoje e ontem e chamar essa soma de Soma das Altas. Soma das Altas = Fechamento de hoje – Fechamento de ontem.
Se o fechamento de hoje foi menor que o fechamento de ontem, então vou somar a diferença entre ontem e hoje e chamar essa soma de Soma das Baixas. Soma das Baixas = Fechamento de ontem – Fechamento de hoje. Assim temos a Força Relativa do ativo nesse período de tempo que é a razão entre as Somas das Altas e a Soma das Baixas:
 
Por exemplo, vamos analisar os preços de um ativo hipotético durante 6 dias:
 
Este é o gráfico dos preços desse ativo nesses 6 dias:
 

A Soma das Altas é 2,00 + 2,00 + 2,00 + 6,00 = 12,00 A Soma das Baixas é 4,00 Assim, a Força Relativa desse ativo nos 6 dias é 12,00 / 4,00 = 3,00 Se quisermos, podemos transformar esse número em um percentual de modo que ele sempre varia apenas de 0 a 100, independentemente do preço nominal do ativo. Este seria o FR percentual, ou, como Wilder chamou, o Índice de Força Relativa. Para tanto usamos a seguinte fórmula:

Esta fórmula apenas faz o valor do FR ficar entre 0 e 100. No caso do exemplo acima, temos

IFR = 75 Vamos agora imaginar um segundo ativo hipotético:

Este é o gráfico de preços do ativo nos 6 dias:

A Soma das Altas é 2,00 + 6,00 + 10,00 + 14,00 = 32,00 A Soma das Baixas é 4,00 Assim, a Força Relativa desse ativo nos 6 dias é 38,00 / 4,00 = 8,00 Usando a fórmula para transformar o número num percentual, temos:

IFR = 89 Como vemos, o IFR fica maior à medida que a diferença entre as altas e as baixas também aumenta. Desse modo o IFR mede o quanto as altas foram maiores que as baixas. Por exemplo. Digamos que a soma das altas de um ativo num período de 1 mês tenha sido de de 30,00. Isso é muito ou pouco? Depende de quanto foi a soma das baixas.

Se as baixas somarem 29,00, na verdade o ativo quase não saiu do lugar, teve uma alta relativa de apenas 1%. Por outro lado, se um ativo teve uma soma de altas de 2,00 em um mês e a soma de suas baixas nesse mesmo período foi de 0,1, o ativo teve uma alta relativa de 20%. Já que 2 é vinte vezes maior que 0,1. De modo geral podemos dizer que: IFR > 50 = Compradores com mais força (altas maiores que baixas) IFR = 50 = Equilíbrio entre compradores e vendedores IFR < 50 = Vendedores com mais força (baixas maiores que altas)

A leitura clássica dos níveis do IFR: IFR > 70 = Compradores com tanta força que uma possível exaustão da alta pode estar prestes a acontecer. Estamos sobrecomprados. Os preços estão relativamente muito altos. IFR < 30 = Vendedores com tanta força que uma possível exaustão da baixa pode estar prestes a acontecer. Estamos sobrevendidos. Os preços estão relativamente muito baixos.

Abaixo um exemplo de IFR aplicado. Note como mesmo na forte tendência no lado direito do gráfico, ainda assim, o IFR não emitiu sinais falsos.

Em resumo, o IFR mede o fôlego de uma tendência, e, portanto, sua iminente reversão ou retorno ao seu preço médio, visto que o preço se afastou demais para cima ou para baixo de sua média. 

Ressaltando que, para uma boa utilização e uma boa análise com o (IFR) demanda de muito estudo e tempo de dedicação.

 
Jhonatas Souza
22/06/2020
 

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