Bandas de Bollinger

Jhonatas Souza

“As Bandas de Bollinger (BB) é um clássico indicador de tendência desenvolvido por John Bollinger. Seu livro Bollinger on Bollinger Bands contém uma descrição detalhada sobre como usá-lo sozinho, e em conjunto com outras ferramentas da análise técnica. As BB são muito populares entre os analistas no mundo inteiro.“.

 

As bandas de bollinger (bollinger bands) são  ferramentas de negociação na análise técnica criada por John Bollinger no início dos anos 80. Surgiu a partir da necessidade de bandas comerciais adaptativas e a observação de que a volatilidade era dinâmica, não estática, como se acreditava na época.

O indicador é formado por 3 linhas: Uma banda média e duas externas. A banda média é uma média móvel simples, geralmente com período de 20. As bandas externas são geralmente definidas por 2 desvios-padrão acima e abaixo da banda media.

As bandas de Bollinger têm algo em comum com o indicador Envelopes, a diferença sendo que as bordas do Envelopes se situam acima e abaixo da média móvel a uma distância fixa em %, enquanto as bordas das bandas de Bollinger são calculadas com base no desvio padrão, que sofre constantes mudanças.

Aplicando esse conceito no contexto da análise técnica de um ativo, tem-se que o desvio padrão é uma medida da volatilidade, ou seja, quanto maior a volatilidade de um ativo maior seu desvio padrão. As bandas são portanto traçadas a um determinado número de desvios padrão de uma média.

O analista sabe que na maior parte do tempo que os preços estarão reclusos dentro desse limite. Como é possível constatar, existe uma relação direta entre as bandas de Bollinger e a volatilidade. Essa integração é muito interessante e pode ser facilmente percebida graficamente durante acumulações e quando ocorrem acelerações dos movimentos de preços.

Muitas vezes ocorre uma diminuição na volatilidade de um ativo em razão de um certo equilíbrio entre demanda e oferta. Essa diminuição tem reflexo direto nas bandas, uma vez que elas se aproximam deixando um canal muito mais estreito. A melhor analogia para o que essa formação representa é a calmaria que antecede uma tempestade, uma vez que trata-se de um considerável sinal de que um forte movimento está vindo.

Observe o gráfico acima as bandas estreitaram-se, permanecendo assim até final, quando um significativo movimento altista teve início. Ao mesmo tempo em que o rally iniciou-se as bandas começaram novamente a se afastar refletindo o aumento de volatilidade.

Dessa maneira, as bandas nos fornecem com antecedência o sinal de que existe uma possível tendência se aproximando, mas para qual lado o mercado vai? Podemos tentar descobrir essa resposta com a ajuda de alguns indicadores. Uma técnica é procurar divergências ou avaliar a sobrecompra/sobrevenda através de um oscilador como IFR, entretanto, não podemos esquecer das valiosas informações fornecidas pelos indicadores baseados em volume.

Um dos aspectos fascinantes da análise técnica é que mesmo sob as mesmas condições, muitas vezes, dois analistas enxergam o cenário de maneira completamente diferente. A seguir, analisaremos duas regras de uso das bandas que parecem antagônicas em um primeiro momento.

Uma dessas regras diz que quando o preço supera uma das bandas espera-se a continuação do movimento. Essa afirmação é plenamente razoável, visto que o preço superar a banda constitui sem sombra de dúvida, uma manifestação de força.

Entre outros usos, ainda podemos destacar o fato de as bandas serem bons alvos de preços. Assim, um movimento que se inicia sobre uma banda tende a percorrer todo o caminho até a outra. Outro mecanismo interessante, sugere que topos ou fundos feitos fora das bandas seguidos por topos ou fundos feitos dentro são uma boa sinalização de mudança de tendência.

 Esta é uma boa maneira de operar e aproveitar a tendência, principalmente se você gosta de administrar posições por algum tempo.

Entretanto, seguidamente, ao alcançar uma das bandas o mercado reverte para a outra direção, nem que seja uma rápida pausa para “tomar ar” antes de continuar a escalada ou a queda. Isso acontece porque ao atingir a linha superior ou inferior, os preços já se distanciaram bastante de sua média e estão vulneráveis a correções. Sob essa visão, a superação de uma banda é na verdade um alerta que sugere a liquidação de posições.

A conclusão é que a estratégia de uso das bandas depende do plano de cada analista. O objetivo é manter a posição por algum tempo ou realizar operações curtas? Serão operações curtos ou curtíssimos como day-trade? Sob quais condições técnicas acontecerá a saída? Onde estarão os stops? Essas perguntas devem estar respondidas.

 
Jhonatas Souza
23/06/2020
 

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